Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

25 de Abril: Estudo encomendado por Cavaco Silva sobre juventude já foi entregue no parlamento

Lisboa, 25 Abr (Lusa)

O estudo sobre o comportamento dos jovens que o Presidente da República, Cavaco Silva, hoje citou no parlamento na sessão solene comemorativa do 25 de Abril já foi entregue aos partidos políticos, informou fonte da Presidência.

A análise sobre atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Portugal, mandada realizar por iniciativa de Cavaco Silva, através da Universidade Católica, já foi colocada no "site" da Presidência, sendo considerada "fiável" pelo Chefe de Estado.

De acordo com o documento, metade dos jovens entre os 15 e os 17 anos desconhece quantos países integram a União Europeia, o nome do primeiro Presidente português eleito depois do 25 de Abril e se o PS tem maioria absoluta no parlamento, alertou hoje Cavaco Silva, citando o documento que mostra o "total alheamento" da juventude.

O Presidente da República, que falava na sessão comemorativa do 25 de Abril, na Assembleia da República, apresentou parcialmente esse estudo que mandou realizar e que demonstra o "total alheamento" dos jovens face à política e a insatisfação geral dos portugueses relativamente ao funcionamento da democracia no país.

Cavaco Silva considerou a situação "demasiado séria" e disse que, como "deve prestar contas" do que faz, partilhou os resultados desse estudo sobre atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Portugal.

O estudo, apresentado ao Presidente em Janeiro, conclui, em primeiro lugar, que "é notória a insatisfação dos Portugueses com o funcionamento da democracia" que se mostram favoráveis a reformas profundas na sociedade portuguesa.

Revela que os mais jovens, entre os 15 e os 17 anos, e os jovens adultos, entre os 18 e os 29 anos, ou seja, os que nasceram após o 25 de Abril, são a camada etária que se mostra mais favorável à introdução de reformas incrementais e limitadas no sistema.

Adianta que os jovens estão menos expostos à informação política pelos meios convencionais de comunicação do que os restantes segmentos da população e mostram também mais baixos níveis de conhecimentos políticos.

De acordo com o estudo, exceptuando o exercício do direito de voto, a população portuguesa tende a ser céptica em relação à eficácia da participação política tradicional, isto é, aquela que é feita através dos partidos.

No que respeita a um conjunto genérico de medidas destinadas a melhorar a qualidade do sistema democrático, os portugueses são favoráveis à presença das mulheres na vida política, à criação de novos mecanismos de participação e à maior personalização do sistema eleitoral, refere o estudo.

Depois de enunciar a fiabilidade do estudo, Cavaco Silva disse que queria conhecer essa realidade que trouxe agora aos deputados "na convicção de que os agentes políticos não podem alhear-se do pulsar da sociedade e daquilo que os cidadãos pensam daqueles que os governam".

Cavaco Silva sublinhou que, já em 2004, os portugueses se contavam entre os europeus e os cidadãos de países desenvolvidos com pior avaliação do funcionamento da democracia, e que de 2004 para cá, a "insatisfação e o pessimismo" cresceram de forma sensível.

Do ponto de vista do chamado "interesse pela política", os resultados demonstram um "baixíssimo interesse dos inquiridos entre os 15 e os 17 anos".

O documento revela que os cidadãos em geral mostram maiores níveis de interesse pela política a nível local do que a nível nacional e internacional.

De acordo com o Chefe de Estado, foram colocadas aos inquiridos três perguntas muito simples: qual o número de Estados da União Europeia, quem foi o primeiro Presidente eleito após o 25 de Abril e se o Partido Socialista dispunha ou não de uma maioria absoluta no Parlamento.

O Presidente da República mostrou-se chocado porque metade dos jovens entre os 15 e os 17 anos e um terço dos jovens entre os 18 e os 29 anos não foi sequer capaz de responder correctamente a uma única das três perguntas colocadas.

"No dia em que comemoramos solenemente o 34º aniversário do 25 de Abril, numa cerimónia todos os anos repetida, somos obrigados a pensar se foi este o futuro que sonhámos", sublinhou Cavaco Silva.

O Presidente disse ser "natural, saudável" que os cidadãos e os jovens tenham centros de interesse para além da vida política, mas afirma que tal significa que têm a democracia como um dado adquirido, que interiorizaram o facto de viverem num regime democrático e agora dedicam a sua atenção a outras realidades.

Cavaco Silva disse aos deputados que "o nível de informação dos jovens relativamente à política é de tal forma baixo que ultrapassa os limites daquilo que é natural e salutar numa democracia amadurecida".

"O alheamento da juventude não pode deixar de nos preocupar a todos, a começar pelos agentes políticos", alertou o Presidente, sublinhando: "A começar por vós, senhores deputados".

Para o Chefe de Estado, se os jovens não se interessam pela política é porque a política não é capaz de motivar o interesse dos jovens.

"Interrogo-me que efeitos daqui resultarão para o Governo de Portugal num futuro não muito distante", questionou.

O Presidente alertou ainda os deputados para a necessidade de se procurar fazer uma "política de proximidade" relativamente aos Portugueses.

Cavaco foi claro ao declarar que os partidos políticos "possuem responsabilidades muito claras no combate ao alheamento" dos jovens pela vida pública, no fundo, no combate à indiferença que muitos jovens têm pelo futuro do seu País.

Para o Chefe de Estado, isso deve-se, em boa medida, ao facto de não ter havido o necessário esforço para a credibilização da vida política que "não dispensa algo de muito simples que é ouvir o povo e falar-lhe com verdade".

"Vender ilusões não é, seguramente, a melhor forma de fortalecer o imprescindível clima de confiança que deve existir entre os cidadãos e a classe política", reiterou.

Por outro lado, o Presidente denunciou um "certo autismo de alguma classe política", levando-a a conhecer melhor a realidade do País.

Cavaco Silva disse que o "impressiona" que muitos jovens não saibam sequer o que foi o 25 de Abril, nem o que significou para Portugal e que, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974, muitos produzam afirmações que "surpreendem pela ignorância" de quem foram os principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário.

SRS.

Lusa/fim

 

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publicado por JCM às 23:33
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