Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

O outro lado d'O "desinteresse" dos jovens pela Política (XIX)

Contributo

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os SurrealHumanity, depois de tomarem conhecimento da recolha de sugestões inovadoras em curso, sentidas no pulsar do "politicamente incorrecto" dos jovens de hoje, relativamente à intensificação da participação cívica e ao premente reavivar do culto do espírito de 
cidadania, dado o enorme fosso de distanciamento e o assumido litigioso com os sucessivos governantes e autarcas, não puderam deixar de aderir a esta louvável iniciatiava, no sentido de poder colaborar com o CCC, com o intuito de "despertar" os máximos responsáveis pelos destinos da nação, para uma mudança de paradigma de convivência 
política.

Se analisarmos. com insenção e acuidade, as multifacetadas tomadas de posição dos políticos, neste novo período sem Muro de Berlim dito em crescendo de globalização, à escala do mundo, vulgarmente tido como ocidental, facilmente concluiremos estar em curso uma estranha espécie de postura estereotipado : além de um enorme respeito pelas "medidas  de tendência central" por parte do eleitorado, numa imutável  alternância entre partidos praticamente desprovidos de diferenças fracturantes no plano concreto da activação dos seus programas, é  manifesta, por um lado, toda uma sensação de impunidade quando toca a  erros políticos graves, aliviada por uma predisposição de imunidade  parlamentar que não permite que a culpa continue a morrer solteira,  enquanto que, por outro, se torna difícil confiar nos principais  candidatos a líderes, visto teimarem prometer aquilo que, mais tarde,  não chegam a cumprir. Quase que é nosso desejo, aqui, afirmar, com todas as letras, que a tecnocracia e a mediocracia, ao se declararem como dois novos grandes poderes, acabam por fazer os políticos reféns dos seus próprios ditames geoestratégicos e interesses de circunstância. Que nos desculpem os autarcas e os governates da nossa 
nação, mas a verdade nua e crua é simples : o mercado é quem domina e  superentende toda a estrutura societal da actual pós-modernidade, a  política aparece apenas em segundo lugar.

Isto faz com que a política perca o seu interesse, mais parece um jogo virtual sem nada de, realmente, palpável que possa sentir-se no seio das nossas vidas quotidianas. A sensação de impotência é de tal ordem que os mais novos apostam mais num registo semi-anárquico e  semi-apolítico : o paradoxo "a política não me interessa" parece constituir o único motivo de interesse a suscitar uma resposta - a indiferença.

Honestamente, acreditamos, na esteira do pensador francês André-Comte Sponville, que a verdadeira e única resposta deve advir da ética. Não há volta a dar, a não ser esta. Moralizar a política. Voltar a  centralizá-la no Homem, retomando os ensinamentos de Atenas. Encará-la  como uma forma de servir as populações e a res publica, o bem comum.  
Pensar, de novo, no interesse colectivo em detrimento do interesse individual. Basicamente, moralizar toda a classe política e a sua forma de legitimação permanente.

Os SurrealHumanity defendem, basicamente, a instauração de um sistema novo, a nível do mundo democrático europeu ocidental, capaz de premiar o verdadeiro mérito dos candidatos e o seu verdadeiro "altruísmo político". O acesso a lugares cimeiros deve exigir, da parte dos candidatos interessados, todo um perfil idóneo e de competência comprovada, em função das áreas de intervenção e das pastas a tutelar: uma idade mínima de 45 anos ; uma sólida formação académica de base, com vincada especialização nas áreas de supervisão ; redução das regalias e mordomias, designadamente, nas elevadas pensões a assegurar 
pelo erário público, depois de um mandato ou dois ; um background de experiência no terreno comprovada, aquando da sua actividade profissional ; submissão à definição de um sistema de competências "apertada", do ponto de vista da jurisprudência constitucional, 
passível de minimizar, preventivamente, o actual cenário de reiteradas falas promessas eleitorais, em que já ninguém acredita - a começar pelas luvas brancas dos nulos, dos brancos e da pesada abstenção em prol de uma tarede solarenga na praia.

Antes de mais, as campanhas eleitorais deveriam ser dedicadas ao aprofundamento, sério e cabal, dos programas políticos a escrutinar, junto das populações, devendo ser preparados de forma mais realista e alicerçando no conhecimento das realidade concretas.

Digamos que, no essencial, o primeiro passo de gigante a dar, deve procurar convergir com esta linha de rumo. Depois, e só depois, fará sentido equacionar outras vias de aproximação e de busca de entendimento com as diferentes problemáticas das populações, no terreno, criando, para o efeito, novos patamares intermédios de legitimação cívica, um pouco ao jeito de movimentos associativos ou peticionários, de pendor mais afirmativo enquanto novas formas de contra-poder e de limitação de mandatos.  Um cidadão qualquer do século XXI exigirá, como é evidente, ser tratado como um Sujeito, caso contrário o sistema corre sérios riscos de vir a implodir, num ápice.

Por exemplo, porque não pensar na possibilidade de um dado movimento, que surja por vontade expressa dos cidadãos, poder ter assento parlamentar efectivo, com razoável interferência na decisão do plenário, no seu todo  ? A actividade política e correspondente agenda passariam a ditar, sazonalmente, temáticas diversas para o seio da própria sociedade civil, para que, passado um determinado período de tempo definido, esta se pudesse pronunciar, com voz activa, junto dos ilustres parlamentares.

No fundo, a nossa ideia é propor um novo tipo de Parlamento mais aberto à participação dos cidadãos : 5 % dos actuais lugares de deputado passariam a ser ocupados por novos membros independentes, em representação da mais genuína Sociedade Civil, eleitos por movimentos organizados em função de temáticas suscitadas pela própria agenda 
parlamentar, por um prazo mínimo de seis meses e sem direito a renovação, o que acabaria por levar a uma redução do número de candidatos - a Regra de Hondt passaria a vigorar, apenas e só, em relação aos restantes 95%.

Como é natural, as escolas teriam de desempenhar um papel decisivo na formação deste novo espírito de participação cívica activa, dando a conhecer os meandros e os bastidores do funcionamento da actividade política, desde as bases até ao topo. Neste quadro, as formas existentes são variadas e, algumas delas, já forma, inclusivamente,  divulgadas por alguns dos grupos a concurso. Parece-nos evidente que os jovens portugueses, e não só, se sentiriam mais interessados pela política se os autarcas e munícipes de relevo locais procurassem ir ao encontro das suas ideias e da sua sensibilidade, porque não delineando 
concursos anuais diversos com vista a premiar o esforço e a criatividade.

De facto, a sustentação do actual conteúdo discursivo político e da sua inerente retórica, de barbas sofistas ancestrais, impostas por uma mediatização massificada em quantum de share por metro quadrado, associado a um carisma exigido como prioritário, tem-se mostrado inviável. Tem de enveredar por uma estratégia política que seja assimptotica com a verdade dos fenómenos, sem descurar uma importante vertente pedagógica e argumentativa.

Em boa verdade, temos de reconhecer que esta problemática não é responsabilidade política dos governantes, na medida em que o seu verosímil raio de acção é bem mais alargado. Os tentáculos deste polvo social são múltiplos e difíceis de admoestar coercivamente, de forma profícua, no sentido da preservação de uma democracia saudável.

Os SurrealHumanity, em jeito de glosa, lembram a todos que a política é, conforme Leibniz tanto apreciava, a construção humana do melhor dos mundos possíveis. Já a Democracia, para Winston Churchill,  representava o melhor dos piores sistemas : da nossa parte, numa toada meio elitista, assumimos a nossa veia meritocrática de competência, de  humanidade, de dedicação e serviço gratuito e de firmeza nos valores  essenciais.

Que os nossos jovens aprendam quais os valores nucleares à manutenção  da coesão social, o resto virá, com toda a certeza, por acréscimo ...

Um forte abraço fraterno e ateniense, à Pericles, dos Surreal.

 

 


publicado por JCM às 00:22
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